Oscilação, o preço que se paga por trocar o pneu com o carro em movimento

Oscilação. Variação alternada; flutuação, mudança, variabilidade;

Que o time do Vasco ainda não tomou forma no Campeonato Brasileiro 2017 não é difícil perceber. A alternância entre boas partidas com outras abaixo da crítica, variações de escalações e esquemas mostra isso (até três zagueiros). A campanha quase perfeita em casa e quase nula fora também. Mas, a meu ver, o problema está diretamente ligado a outro fator: (mal) planejamento.

O Vasco que entrou em campo contra o Flamengo (já que diante do Vitória a equipe jogou com seis desfalques por lesão e suspensão) foi respectivamente:

08/07/17 – Martin Silva, Gilberto, Paulão, Rafael Marques e Henrique, Wellington, Bruno Paulista (Andrey), Mateus Vital (Wagner), Yago Pikachu (Manga Escobar) e Nenê; Luis Fabiano. Técnico: Milton Mendes.

No primeiro jogo do temporada, na Florida Cup, a equipe que venceu o Barcelona-EQU foi:

15/01/2017 – Martín Silva; Madson, Luan, Rodrigo e Alan Cardoso (Henrique); Evander e Julio dos Santos; Escudero (Guilherme Costa), Muriqui (Eder Luis) e Nenê; Thalles (Éderson). Técnico: Cristóvão Borges.

Martín segue absoluto, embora cometendo uma falhazinha e outra aqui em bolas teoricamente defensáveis. A zaga foi totalmente modificada. Luan vendido para o Palmeiras, Rodrigo liberado para a Ponte Preta, Alan Cardoso e Madson foram para o banco. Paulão e Breno foram contratados com o Campeonato Brasileiro em andamento, após a dupla Rafael Marques e Jomar (especialmente) não deixar boa impressão na goleada para o Palmeiras. A “dupla frankeinstein” (criação bizarra; nunca foram) de volantes foi substituída por outros efetivamente da posição (Julio inclusive foi liberado nos últimos dias para jogar no Sportivo Luqueño-PAR). Chegaram Wellington e Bruno Paulista (este após a novela mais longa da história de São Januário, foi regularizado e estreou apenas em julho, contra o Flamengo, e na mesma partida saiu lesionado) com a temporada em andamento. Jean foi contratado pouco depois da volta da Disney. Douglas, cria da base e também jogador do setor, foi vendido nos últimos dias e garantiu a viabilidade financeira do clube teoricamente até o fim do ano. A linha de três atuante detrás do centroavante foi mexida também. Escudero também foi para o banco, Muriqui (depois de não conseguir jogar uma partida boa sequer) liberado para voltar para China e Nenê, após também experimentar período no banco, manteve-se no setor. Yago Pikachu e Mateus Vital ganharam a posição com a chegada de Milton Mendes. No ataque, Thalles voltou para o banco e para a eterna luta contra a balança e foi substituído por Luis Fabiano, também contratado com a temporada em andamento. E por último, mas não menos importante, o técnico. Cristóvão Borges, escolha criticada pelos torcedores desde o anúncio, foi substituído por Milton Mendes durante o Campeonato Estadual.

Dos jogadores que entraram em ambas partidas, Henrique mantinha-se como titular da lateral até falhar decisivamente contra o Flamengo e parece ter perdido a posição para o recém-(perdoado)contratado Ramon; Guilherme Costa voltou a ter oportunidade na partida contra o Vitória; Eder Luis voltou a receber chance (após longo tempo sem nem no banco ficar) no empate em 2×2 com o Coritiba; Éderson, cansado das poucas oportunidades recebidas, voltou para o Atlético-PR (por onde foi artilheiro do Brasileiro em 2013); Andrey entrou contra o Flamengo e por muito pouco (ao atravessar uma bola errada no meio-campo) não queima seu filme com a impaciente torcida; Wagner e Manga Escobar foram contratados com a temporada em andamento.

O que se mantém em comum da primeira partida e da penúltima? Martin Silva e Nenê apenas. Muito pouco para um time que almeja vôos altos no campeonato. E naturalmente explica a oscilação.

Já imaginou se Milton Mendes e boa parte dos reforços trazidos ao longo desses seis meses estivessem presentes no jogo contra o Barcelona-EQU? Seria o (bom) caminho do Vasco até aqui, na estrada do Campeonato Brasileiro 2017, com menos curvas e mais subidas? Nunca saberemos.

Esperamos no entanto que se não for possível fazer a ultrapassagem, também não precisemos ligar o pisca-alerta. Uma viagem segura é tudo o que os passageiros deste Vasco da Gama 2017 desejam. Até mesmo os que costumam a enjoar em longos trajetos.

 

 

 

 

 

 

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